Novembro 15, 2009

Lima Barreto e o Jornalismo Literário


 

Utilizando uma linguagem informal estilística própria do jornalismo e da fala cotidiana, Lima Barreto soube como expressar suas idéias de maneira mais verdadeira do que muitos escritores souberam e apesar da distância entre épocas.

 

Afonso Henriques de Lima Barreto era mestiço e de origem humilde. Nascido no Rio de Janeiro, em 1881, fez parte dos estudos preparatórios no Colégio Pedro II. Ingressou na Escola Politécnica, que abandonou antes da formatura para assegurar o sustento no funcionalismo público. Mulato e socialista, dedicou-se de forma polêmica ao jornalismo e à literatura de crítica social. Seu pai era alcoólatra e foi considerado louco e ele próprio esteve internado em casa de desajustados mentais.

Em 1905, tornou-se jornalista do “Correio da Manhã”; quatro anos depois publicou em Portugal “Recordações do escrivão Isaías Caminha”. Publicou “Triste Fim de Policarpo Quaresma” em 1911.

Em 1914, foi internado pela primeira vez num hospício e em 1920, candidatou-se, sem sucesso à Academia Brasileira de Letras. A boêmia e o alcoolismo pareçam não ter prejudicado seu trabalho intelectual, mas o levaram à morte prematura, em 1922, aos 41 anos. Passou por grades desenganos e humilhações.

 

Policarpo Quaresma

 

O livro “Triste fim de Policarpo Quaresma” revela com clareza o patriotismo, incorporado pelo personagem principal. Ao mesmo tempo que disseca o ufanismo exagerado de um patriota exaltado, satiriza o Brasil e suas particularidades. Mas, como todo ser “diferente”, Policarpo caminha do sonho para a realidade diante das forças maiores da corrupção, do egoísmo, da ambição, do poder e da injustiça. “Morre” duas vezes, antes e depois de morrer, pois pior do que a própria morte, é a morte das crenças e das convicções.

A realidade brasileira descrita no livro permanece bem atual. Marco na Literatura brasileira, o livro rompeu com o modo artificial e erudito de escrever, dominante na época em que foi escrito.

O autor nos mostra também as belezas brasileiras, em simples descrição do visionário, quando exemplifica seus melhores lugares, seus melhores escritores, suas melhores dádivas, etc. Consegue demonstrar de modo extraordinário o valor brasileiro.

Quaresma é relatado como funcionário público. Homem de hábitos conservadores era um solteirão e vivia com sua irmã Adelaide num bairro do Rio de Janeiro. Além de dedicado ao serviço público, era patriota exaltado, possuindo uma biblioteca só com obras sobre o Brasil. De repente, viu-se assaltado por uma obsessão: salvar o país por uma reforma nos costumes.

Essa aventura acabou por metê-lo num sanatório. Nessa altura da vida, Quaresma vivia rodeado por funcionários públicos sem consciência moral ou profissional.

Ao sair do hospício, Quaresma já não pensava em reformar os costumes nacionais. Agora acreditava que a solução para os males do Brasil viria de uma reforma na agricultura. Muda-se então para o Sítio Sossego, mas é vencido pela má qualidade do solo, pela política local e pelas saúvas. Depois de perder tudo, volta para a capital e combater a Revolta da Armada.

Então se alista no Exército, a favor de Floriano Peixoto, comandando um batalhão de quarenta soldados, tornando-se florianista. Obtém uma entrevista com o presidente e se decepciona com seu jeito displicente e preguiçoso. Abafa a revolta e é enviado a Ilha das Enxadas, com a função de carcereiro. Uma noite, diversos prisioneiros são fuzilados por ordem expressa do Presidente. Quando Quaresma toma conhecimento, envia uma carta censurando o Presidente e depois e preso e enviado para a Ilha das Cobras, tendo o mesmo destino daqueles por cujos direitos protestava.

 

Contexto histórico

 

Panorama mundial

 

Pré-guerra;

Partilha da África;

Freud e a psicanálise,

Primeira guerra mundial (1914-18);

Revolução russa (1917);

Vanguardas artísticas.

 

Panorama brasileiro

 

A “República da espada”, pois o poder foi assumido por militares;

Governo de Floriano Peixoto

Revolta Federalista (RS),

Revolta da Armada (RJ);

 

Elementos da narrativa

 

Personagens Principais

 

Policarpo Quaresma: personagem principal, pequeno, magro, ingênuo, sonhador, honesto e desinteressado, vestia-se sempre de fraque, usava uma cartola de abas curtas e muito alta;

 

Ricardo Coração dos Outros: trovador e seresteiro, baixo, magro, pálido, de outra região do país; e, por ser humilde, era desprezado pelos demais, que formavam a “aristocracia do subúrbio”;

 

Adelaide: considerada pelo narrador uma “bela velha” de cinqüenta anos, era a típica solteirona de outros tempos sem anseios amorosos e acomodada ao lar, dedicada a cuidar do irmão, o homem da família;

 

Olga: afilhada de Quaresma, muito viva, habituada a falar alto e desembaraçadamente e dona de um olhar luminoso;

 

Albernaz: general leal, bom, generoso. Seu único defeito era a pretensão de ascencender socialmente;

 

Ismênia: filha de Albernaz, bonitinha, amorenada, traços acanhados, nariz malfeito, cabelos longos morenos e belos, nem muito baixa, esbelta, de indolência de corpo, de idéias e de sentidos.

 

Personagens Secundários

 

Cavalcanti: dentista, noivo de Ismênia;

 

Anastácio: fiel servidor de Quaresma há trinta anos e conhecedor de fatos da história do Brasil, como testemunha ocular. Na qualidade de ex-escravo de fazenda é ele quem equilibra a cultura a cultura livresca de Quaresma, com o seu conhecimento vivo da terra;

 

Maria Rita: ex- escrava africana e antiga lavadeira da família de Albernaz;

 

Caldas: contra-almirante, a quem foi dado comandar um navio inexistente;

 

Bustamante: major cuja preocupação central era conhecer a legislação que regeria sua aposentadoria;

 

Dona Maricota: esposa de Albernaz, mais jovem do que ele.

 

Espaço da narrativa (3 exemplos, página)

 

(…) ia pisar a soleira da porta de sua casa, numa rua afastada de São Januário”;

(…) Não se sabia bem onde nascera mas não fora decerto em São Paulo, nem no Rio Grande do Sul, nem no Pará (…)”;

(…) Não havia três meses que viera habitar aquela casa, aquele ermo lugar, a duas horas do Rio, por estrada de Ferro após ter passado seis meses no hospício da Praia das Saudades (…)”;

 

Tempo cronológico(3 exemplos, página)

 

(…) Como de hábito, Policarpo Quaresma, mais conhecido por Major Quaresma, bateu em casa às quatro e quinze da tarde (…)”;

(…) E era assim todos os dias, há quase trinta anos (…)”;

(…) Afinal a filha do general pôde responder com segurança à pergunta que se lhe vinha fazendo há quase cinco anos (…)”;

 

Tempo psicológico(3 exemplos, página)

 

(…) Veio recordar-se do seu tupi, do seu folklore, das modinhas, das suas tentativas agrícolas – isso lhe pareceu insignificante, pueril, infantil (…)”;

(…) E ele se lembrava que há bem cem anos, ali, naquele mesmo lugar onde estava, talvez naquela mesma prisão, homens generosos e ilustres quererem melhorar o estado de coisas de seu tempo(…)”;

(…) Desde dezoito anos que o tal patriotismo o absorvia e por ele fizera a tolice de estudar inutilidades (…)”;

 

Aspectos morais

 

Triste Fim de Policarpo Quaresma” disseca o sonho de um patriota exaltado, dominado pela idéia de um Brasil acolhedor e amável. Em seu idealismo patriótico, Policarpo Quaresma vê seu país como um recanto de farturas, facilidades, compreensão e amor.

Esta visão orienta o seu projeto de reforma nacional, cujo objetivo era “despertar a pátria do sono inconsciente em que jazia, ignorante de seu potencial, e conduzi-la ao merecido lugar de maior nação do mundo”.

Num primeiro momento, o grande sonhador prepara uma reforma cultural; num segundo, uma reforma agrícola; num terceiro, uma reforma política. Ao fim dessa caminhada ufanista, o país revela-se inóspito, precário, infecundo, cruel, opressor e odioso.

Em outros termos, a narrativa desconstrói o mito romântico de um Brasil superior. Evidencia a distância entre o sonho e a realidade; critica o idealismo inconseqüente, incapaz de enxergar as verdadeiras dimensões do real.

Ao abordar o tema do patriotismo brasileiro, este romance problematiza um dos conceitos mais arraigados do caráter nacional, expondo-o ao ridículo, numa impiedosa anatomia da alma coletiva.

 

Aspectos sociais

 

Na análise do sonho patriótico de Policarpo Quaresma, Lima Barreto pôde também abordar alguns subtemas importantes para a formação do seu ideário pré-modernista, como a crítica à posição negativa do brasileiro médio em relação ao colonizador europeu, a exaltação à terra, a idealização da natureza virgem, a paródia da máquina burocrática e a ojeriza contra os falsos artistas. A sondagem do desequilíbrio de Quaresma permitiu-lhe ainda investigar com tintas fortes as alucinações, os desejos e as manias que caracterizam a loucura – retratando tanto os seus aspectos humorísticos quanto os trágicos.

A caracterização do funcionalismo público é um dos subtemas mais interessantes do romance. O próprio Lima Barreto foi funcionário público. Por isso pôde captar os pequenos traços que caracterizam esse tipo de serviço no Brasil, transpondo-os de forma magistral para o plano da ficção.

Com efeito, o perfil dos funcionários públicos do romance, dos quais o mais importante é o próprio presidente da República (também caricaturado, resulta em uma interessante alegoria contra a burocracia, formada por pessoas sem consistência moral ou profissional. Nesse sentido, o livro é uma sátira impiedosa e bom-humorada contra o Brasil oficial, onde dominam generais em batalha(Albernaz) e almirantes em batalha(Caldas).

Outro exemplo de engajamento social é a descrição afetuosa das pessoas humildes, quer nos subúrbios cariocas (início do capítulo II, segunda parte), que na roça (capítulo IV, terceira parte). No primeiro caso, trata-se da descrição do bairro em que mora Ricardo Coração dos Outros, um dos personagens importantes do romance. No segundo, trata-ser do esboço moral de personagens secundários, moradores do sítio de Quaresma.

Tanto em um como em outro caso, deve-se notar o propósito de uma literatura empenhada no registro objetivo e simples da realidade brasileira, com destaque para os seus contrastes e suas desigualdades.

O diagnóstico dos dois “Brasis”, o rico e o pobre é uma obsessão na ficção do Pré-Modernismo, do qual este romance é uma das maiores expressões.

 

Aspectos econômicos

 

A maioria das personagens da primeira e da terceira parte do livro pertenciam a classe média ou alta, e as da segunda parte do livro eram de classe baixa.

 

Aspectos éticos

 

Do ponto de vista literário, “Triste Fim de Policarpo Quaresma” é um dos grandes herdeiros do Naturalismo em nossa arte, assim como “Os Sertões”, de Euclides da Cunha. Aliás, toda a literatura pré-modernista recebe razoável influência da experiência realista da década de 1880. Este é um dos fatores que explicam a perspectiva dessacralizadora e anti-romântica do livro.

A concepção literária presente em “triste Fim de Policarpo Quaresma” é mais pessoal que a dominante no Naturalismo, que era muito preso à idéia do detalhe científico e da preferência patológica.

Por ser muito pessoal, este romance transmite uma forte impressão da realidade, sem se prender muito aos preceitos do realismo. Apesar disso, lima Barreto ainda trabalha com o conceito de literatura como instrumento de denúncia social, o que às vezes assume tonalidades panfletárias. Isto é, em alguns passos, o narrador toma o partido dos oprimidos, colocando-se francamente contra os opressores. Essa idéia de arte engajada na defesa de princípios humanitários pode ser exemplificada mediante os ataques contra o positivismo republicano e a defesa da massa sofredora, presentes no último capítulo da segunda parte e, de modo geral, em toda a terceira parte.

Outubro 3, 2009

Ausência

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.

Poesia de Carlos Drummond de Andrade
Filmagem, roteiro e edição: Thaís de Paula
Locução: Benedito de Paula

Agosto 24, 2009

Ultraje a Rigor invade Santo André

Deixando a praia de lado, banda contagia público no Parque Central

ultrajeFoto: Marcelo Cereser

 

A noite do terceiro dia do 1º Festival de Cultura Industrial foi do grupo Ultraje a Rigor, que está na estrada desde o início dos anos 80 e tem na bagagem  7 álbuns, 3 EP’s e 10 coletâneas.

Cerca de 1000 pessoas, segundo a Guarda Municipal de Santo André, estiveram no evento.

Não houve problemas sérios com a apresentação, apenas microfonia e dois fãs que invadiram o palco. A lama também incomodava um pouco o público, devido a forte chuva que caiu durante o dia.

A banda iniciou uma longa série de músicas tocando “Zoraide”. Com muita energia, o Ultraje a Rigor executou 24 músicas para um público empolgado, que acompanhou os maiores sucessos da banda como “Nós vamos indavir sua praia”, “Marilu”, “Inútil” e “Mim quer tocar”.

Projeto de incentivo ao Rock no ABC

 

 

 

O Festival de Cultura Industrial por meio do projeto Berço do Rock, começou no dia 21 de agosto trazendo atividades gratuitas como exposições, feira de vinil, oficinas e workshops.

Com a realização da Prefeitura de Santo André, através da Secretaria de Cultura, Esporte, Lazer e Turismo, o projeto tem como objetivo o resgate e a valorização do segmento cultural que trata a temática urbana e industrial de Santo André.

Bandas independentes da cidade se inscreveram e foram selecionadas para se apresentarem no Festival, no mesmo palco das bandas de renome nacional e mostrar seu trabalho.

No próximo sábado, dia 29, as atrações no Paço Municipal serão Ricardo Gaspa, ex-baixista do Ira!, o grupo os Seixas e a banda Cachorro Grande.

Confira toda a programação no site: Prefeitura de Santo André

 

Serviço:

Festival de Cultura Industrial

Data: 29 e 30 de agosto

Locais: Paço Municipal (Praça IV Centenário, s/nº – Santo André) e Parque Central (Rua José Bonifácio, s/nº, Vila Assunção – Santo André)

Entrada Gratuita

Essa minha matéria também foi publicada no site MUNDO ROCK DE CALCINHA

Agosto 8, 2009

O instinto para adquirir uma arte

 

A natureza instintiva do pensamento humano faz com que nos custe tanto perceber que a linguagem é um instinto também. O verdadeiro motor da comunicação é a fala, portanto a escrita é apenas um acessório opcional. Quando compreendemos as frases, o fluxo de palavras é transparente e entendemos o sentido de modo tão automático que podemos esquecer que um filme é falado numa língua estrangeira e está legendado. A naturalidade, a transparência, o caráter automático são ilusões que escondem um sistema de grande riqueza e beleza.

A língua não é um simples repertório de respostas, pois o cérebro contém um “programa” que constrói certo conjunto ilimitado de frases a partir de uma lista finita de palavras. Esse programa pode ser denominado “gramática mental”.

As crianças devem desenvolver essas capacidades complexas rapidamente sem qualquer instrução formal e, à medida que crescem, dão interpretações coerentes a novas construções de frases que elas nunca escutaram antes e devem estar equipadas de modo inato com um plano comum às gramáticas de todas as línguas, uma Gramática Universal, que lhes diz como extrair padrões sintáticos da fala de seus pais.

     

    Mentalês

 

Linguagem e pensamento não são a mesma coisa. Nós certamente não pensamos em nossa língua nativa. Toda uma seqüência de decisões demoraria um bocado se fosse articulada sentença por sentença em nossa língua nativa. A língua do pensamento seria essa espécie de mentalês, que nos diferencia dos animais e das máquinas.

As línguas estão organizadas mais ou menos como as cores e as palavras diferem muito para cada tom de acordo com os gostos, pois o reconhecimento da cor pode ser diferente.

As cores são resultado da luz, que é o conjunto de todas as cores e nós vemos essas cores aparecerem quando são refletidas pelos pigmentos dos objetos. Por isso se pode dizer que quando um objeto é vermelho na realidade ele é todas as cores menos vermelho, porque é essa cor que ele reflete. Na verdade todos os seres humanos usam as mesmas paletas para identificar as cores, começando pelas mais básicas. A maneira como enxergamos as cores determina como aprendemos as palavras para elas e não o contrário.

Um modelo mental é uma representação interna de informações que corresponde analogamente com aquilo que está sendo representado. Portanto, traduzir o mentalês só é possível quando compreendemos a cadeia de palavras de um idioma.

     

    Como a linguagem funciona

     

A linguagem atua internamente como processo de conhecimento, por não ser apenas um instrumento de comunicação, mas um instrumento para socialização. Também é responsável pela construção dos nossos conhecimentos e ao mesmo tempo a linguagem entra em ação no momento em que recordamos um evento, uma informação, um fato, ao evocarmos uma palavra ou realizarmos uma tarefa, porque estamos sempre utilizando o conhecimento verbalmente ou escrito. Todo nosso arquivo tem a ver com o que é relevante e significativo para recordar, evocar, falar e usar. Tudo o que temos armazenado na memória está armazenado em forma de texto, em forma de discurso. Há uma grande abundância de dependências na língua, cobrindo longas distâncias, muitas vezes lidando com o que mecanismos de cadeias de palavras não podem fazer.

Quando as pessoas aprendem uma língua, aprendem como ordenar as palavras, decorando as categorias lexicais (substantivo, verbo etc). Há também certo esquema ou plano geral da frase que coloca cada palavra num lugar específico. Se um mecanismo de cadeias de palavras for planejado com suficiente inteligência, pode dar conta desses problemas.

 

 

Os sons do silêncio

 

A percepção da fala é um instinto da língua, pois não precisamos de luz para perceber que outra pessoa está falando.

O som nada tem de semelhante com a fala, mas seus tons seguem os mesmos contornos que as bandas de energia das frases que dizemos.

Ao escutarmos uma fala, os sons propriamente ditos entram num ouvido e saem por outro; o que percebemos é língua.

Toda fala é uma ilusão e mesmo a sequência de sons que acreditamos escutar dentro de uma palavra é ilusão, pois escutamos a fala como um encadeamento de palavras separadas, mas essa separação não tem um som, ninguém a escuta e a informação sobre cada componente de uma palavra se espalha por ela mesma.

Na onda sonora da fala uma palavra segue a outra sem interrupção; não há pequenos silêncios entre uma palavra e outra, diferente do que acontece com os espaços em branco entre as palavras escritas.

 

    Torre de babel

 

As línguas diferem entre si de modo ilimitado e imprevisível. Ao observarmos a gramática de qualquer idioma encontraremos inúmeras idiossincrasias, pois em cada continente existem algumas particularidades gramaticais em cada idioma.

Por outro lado, é possível que todas as línguas tenham surgido de uma única, pois há grandes semelhanças entre elas. Nenhuma língua forma sentenças interrogativas invertendo a ordem das frases; geralmente o sujeito é posicionado antes do objeto e os verbos com seus objetos tendem a ser adjacentes. Também sempre haverá uma palavra para indicar que a cor de determinada coisa é amarelo ou verde.

As línguas refletem os pensamentos dos falantes e a todo momento novas palavras surgem, o que modifica os idiomas. A formação de diferentes línguas é paralela e depois que essas línguas se esgotarem, nunca reaparecerão.

 

    Gramática / Genes

 

O instinto da linguagem esta incorporado no cérebro, que deve ter sido preparado para essa função pelos genes que o construiu, mas só a presença, o simples fato de ter esse gene não possibilita a fala por si só.

Qualquer gene defeituoso prejudica a gramática, mas isso não significa que um único gene controla a gramática. O que fica prejudicado é a capacidade de se comunicar normalmente.

A região que tem haver com a construção da linguagem, parece se encontrar no hemisfério esquerdo do cérebro, como mostram os estudos de Broca, relacionados com afasia.

Segundo Pinker, os genes da gramática são como pedaços de DNA que determinam sequências que compõem proteínas ou desencadeiam a transcrição de proteínas em certos tempos e lugares do cérebro, que guiam, atraem ou unem neurônios em redes que, em combinação com os ajustes que ocorrem durante a aprendizagem, ”são necessárias para computar a solução de algum problema gramatical (como escolher um afixo ou uma palavra).”

     

    Craques da língua

 

Os craques da língua são personagens que se acham donos dos idiomas ou que cobram dos outros um uso improvável e obsoleto e que não cansam de anunciar a decadência. São os defensores nostálgicos de um padrão que eles mesmos não conseguem praticar e cuja relevância não passa de um mito ou de uma fantasia. Suas fraquezas decorrem de dois pontos cegos. Um é a grosseira subestimação dos recursos linguísticos das pessoas comuns, o outro ponto cego dos craques da língua é a sua completa ignorância da moderna ciência da linguagem.

 

Observador: gosta de passar o tempo falando da origem dos termos e até mesmo cria essas origens. Usa a língua corretamente, não aprecia mudanças, mas se adapta depois de um tempo.

 

Temperamental: especializado em denunciar a ruína de uma língua por causa da ignorância dos falantes. Demonstra erudição, mas não acredita na capacidade dos falantes comuns. Dedica-se a combater erros graves, mas acaba sempre derrotado pelas gírias e pela moda do gerundismo.

 

Animador obcecado por trocadilhos, anagramas e outros artifícios. A língua para ele é um jogo permanente de palavras cruzadas. O simples uso de uma língua para se comunicar não lhe parece normal. Deseja que todos explorem a língua e é um criador de gírias.

     

    Design da mente

 

A linguagem é a parte mais acessível da mente, portanto as pessoas estudam a linguagem na esperança de compreender a sua própria natureza.

A evolução provocou adaptações que tornaram o cérebro humano capaz de se adaptar aos desafios do ambiente e faz com que as informações que vem de fora sejam acrescentadas no cérebro.

As aparentes falhas desse funcionamento da mente são resultado do design da mente criado pela evolução. Também há diferenças das condições em que vivemos hoje para aquelas que haviam quando desenvolvemos a linguagem e isso gera uma outra forma de desenvolvimento da mente.

Os principais mecanismos desse processo são a capacidade que a raça humana tem para memorizar palavras novas e a habilidade de articulá-las de maneiras diferentes.

A mente passa também por processos psicológicos como conhecer e aprender, que causam a aquisição de valores e de conhecimentos que conformam a cultura de uma pessoa.

Agosto 1, 2009

O Pensamento Complexo

 

A complexidade é uma palavra-problema e não uma solução, portanto é necessário desfazer duas ilusões que desviam as mentes do problema do pensamento complexo.

A primeira é acreditar que a complexidade conduz à eliminação da simplicidade; a segunda é confundir complexidade e completude. 

 

Inteligência Cega

 

Assim como adquirimos conhecimentos espantosos sobre vários assuntos, a inteligência cega progride ao mesmo tempo. Isso sem dúvida é uma consequência do atual modelo de ensino, que privilegia a especialização ao invés de uma formação mais completa.

A inteligência cega adquire uma forma mecânica e compartimentada, fragmentando os problemas. Trata-se de uma inteligência que elimina todas as possibilidades de compreensão e de reflexão.

Outro problema causado por essa cegueira, é a desorganização do conhecimento. Não saber como separar e unir; hierarquizar e centralizar. Qualquer conhecimento opera por seleção e rejeição de dados, porém a inteligência impossibilita isso.

Esses problemas podem até mesmo ameaçar a sobrevivência da humanidade e a preservação dos equilíbrios naturais, pois estamos nos aproximando de “uma mutação espantosa no conhecimento”, da falta de reflexão dos atos e do predomínio da ignorância até mesmo pelos intelectuais.

 

O Paradigma Complexo 

 

O paradigma complexo valoriza a importância de considerar a multiplicidade para que na desordem máxima, as coisas se organizem, compliquem e desenvolvam. Encontra-se complexidade onde não podemos superar uma contradição, portanto devemos aceitá-la.

O pensamento complexo procura mostrar que os fenômenos não podem ser compreendidos por meio da análise, da fragmentação, mas por um sistema de pensamento aberto e flexível

Cada sistema cria suas própria determinações e próprias finalidades, não apenas no caos e na desordem, mas em processos variados. Constantemente nossas células são renovadas. A degradação e a desordem cooperam de certa maneira para criar vida.

Temos necessidade de realizar descobertas, precisamos ter elementos culturais diversos para que possamos escolher ou refletir. Jamais poderemos escapar da incerteza e saber de tudo, a consciência da complexidade resultará de um conjunto de novas concepções, novas visões que deverão se acordar, se reunir.

 

 A Complexidade e a Ação como desafio

 

 O pensamento complexo provoca a clareza, a ordem e o determinismo, preparando-nos para uma ação mais rica.

A ação é também uma aposta e faz parte de uma estratégia, que por sua vez permite, a partir de uma decisão inicial, construir um certo número de cenários para a ação. Cenários que poderão ser modificados segundo as informações que chegarão no curso da ação e segundo os imprevistos que surgirão para perturbar a ação.

Porém, na noção de aposta está a consciência do risco e da incerteza. Toda estratégia, em qualquer domínio que seja, tem consciência da aposta, e o pensamento moderno tem entendido que nossas crenças mais fundamentais são objeto de uma aposta.

A estratégia tira vantagem do azar e utiliza os erros do adversário. O azar não é somente o fator negativo a reduzir no domínio da estratégia, é também a sorte a ser aproveitada.

 

 A complexidade e a empresa – Três causalidades

 

 A empresa é uma realidade complexa, onde não se pode eliminar o acaso, o incerto e a desordem, portanto essa organização deverá passar por uma regeneração permanente, seguindo as seguintes causalidades:

 

 Causalidade linear. Se com tal matéria prima, aplicando tal processo de transformação é produzido tal objeto de consumo, a causalidade é linear, pois tal causa gera tais efeitos;

 Causalidade circular ou retroativa. Uma empresa deve produzir em função das necessidades externas, de sua força de trabalho e capacidades internas de energia. Utilizando a cibernética, pode retroagir para estimular ou desestimular a produção de objetos e serviços.

 Causalidade recursiva. No processo recursivo, os efeitos e os produtos são necessários ao processo que os produz. O produto é o produtor daquilo que o produz.

 

 Epistemologia da Complexidade

 

 O aumento natural da complexidade inevitavelmente conduz à epistemologia da complexidade, que emerge em oposição ao paradigma moderno, fundamentando-se na tríade “distinção-união-incerteza”.

As múltiplas abordagens epistemológicas contemplam aspectos culturais, biológicos, sociais, e psicológicos.

Para criar uma explicação qualitativa do real, a epistemologia da complexidade relaciona os vários aspectos, ultrapassando os limites do projeto e do pensamento moderno.

Assim, a epistemologia da complexidade sugere o diálogo entre os conhecimentos e se trata mais de um desafio do que uma resposta.

 

 Os mal entendidos

 

A fragmentação do conhecimento é um modismo cheio de mal-entendidos dentro da epistemologia da complexidade.

Um desses mal-entendidos é considerar a epistemologia como uma resposta, sem entende-la como uma motivação para pensar e refletir. Na realidade a epistemologia tem um caráter mais explicativo do que normativo.

A complexidade deve ser um substituto eficaz da simplificação, mas também aparece como uma procura viciosa da obscuridade, das entrelinhas e do não-dito.

Outro mal-entendido da complexidade é conceber um incontornável desafio que o real lança a nossa frente. A complexidade aspira ao conhecimento multidimensional e interdisciplinar, surge como dificuldade, como incerteza e não como clareza ou como resposta. Não pretende fornecer todas as informações sobre um fenômeno estudado, mas respeita os aspectos biológico, sócio-cultural e os demais fenômenos sociais.

 

 Falar da Ciência 

 

A complexidade se apresenta como um caminho epistemológico capaz de provocar uma reflexão no campo científico a partir de sua própria crise de paradigmas.

A visão simplificadora do conhecimento acabou por limitar o próprio conhecimento, já que os problemas modernos não são disciplinares, mas multidisciplinares e planetários. Porém, a epistemologia da complexidade pode redimensionar os aspectos ligados à construção do conhecimento, ampliando-os e permitindo uma visão baseada na superação da fragmentação.

Só uma epistemologia da complexidade poderia reconduzir as ciências para um fundamento, ainda que esse fundamento não seja a assimilação de um modelo de explicação absoluta e unificadora, mas uma fonte inesgotável de incerteza.

 

 Paradigma e Ideologia 

 

O paradigma e a ideologia traduzem as realidades do mundo exterior e interior. A cooperação desses mundos nos motiva a criar pensamentos complexos. É por isso que a complexidade é um produto da subjetividade.

Um paradigma é um tipo de lógica (inclusão, conjunção, disjunção, exclusão) entre um número de conceitos ou categorias e favorece certas relações em detrimento de outras, por isso um paradigma controla a lógica do discurso. O paradigma é uma forma de controle da lógica.

A palavra ideologia tem um sentido totalmente neutro, é pura e simplesmente um sistema de idéias. Quando falo de ideologia, posso ser levada a falar de uma doutrina, uma teoria ou uma filosofia, porque todas são sistemas de idéias.

Maio 28, 2009

Cultura de Massas no Século XX – Neurose , Edgar Morin

morin

 

A Cultura de massa é, claramente um avanço feminino, porque é um sinal de progresso numa civilização para chegar a um estado de riqueza e de um nível de bem-estar.

Existe uma clara segmentação entre os dois sexos, existe uma diferença de gostos. Homens geralmente preferem futebol e as mulheres são mais facilmente distraídas assistindo filmes românticos.

O essencial é o modelo identificar da mulher-sujeito, porque ela é o ideal de muitas leitoras. O leitor, pelo contrário, já procura a mulher-objeto.

A “mulher magazine”, “mulher cinema” e a própria espectadora das salas de cinema, que surgem desses meios, descrições e destas imagens literárias ganham pouca realidade sociológica. Talvez estejamos por isso diante não tanto de uma transformação social efetiva – a emancipação das mulheres pelo trabalho, pelo consumo ou pelo lazer, a transformação do seu papel tradicional de filha, esposa e mãe no novo papel de mulher autónoma, independente, sujeito desejante cujas paixões e comportamentos que simultaneamente seduzem, atemorizam e desconcertam os homens – mas antes diante de uma construção cultural poderosa capaz de iludir a realidade e de agir sobre ela.

A experiência dos mais velhos se torna obsoleta, pois a “sabedoria dos antigos” é absurda e dispensável.

O prolongamento biológico e social da infância e da juventude – com todas as suas marcas, como o caráter lúdico e a criatividade – até idades avançadas e às vezes até o final da vida – diferencia o homem dos outros primatas mais próximos. A oposição das gerações se torna uma oposição da vida social num dado momento.

O ideal de felicidade, beleza, harmonia e bem-estar e também da tragédia e drama, são conceitos vendidos pela Cultura de Massa. Estes conceitos, que são produzidos e distribuídos para a massa falida, a criação de uma fuga da realidade onde os adultos que têm problemas pessoais, profissionais e psicológicos, tendem a procurar uma fuga tendem nessa cultura e, desta forma, vivencia uma fase de infantilismo e também de juventude, pois não enfrentam seus problemas. A fuga para esta fase é justamente porque, para muitos, é a melhor época da vida onde não se tem tantos problemas e quando se tem a mãe protetora sempre ao lado cuidando do “filhinho”.

O rejuvenescimento se tornou uma arte complexa, há inúmeras possibilidades para manter a juventude. Institutos de beleza, saunas, clínicas plásticas.

A imprensa moderna ilustrada, o radio, cinema e televisão estão implantados em todos os cantos do mundo. A sociedade está a sofrendo mudanças profundas na sua estrutura, as comunicações estão a evoluir de uma forma alucinante e a globalização veio para ficar. A sociedade de consumo deu primazia ao homem consumidor e todas as classes sociais foram chamadas a consumir.

Os produtos são baratos, pois são feitos em larga escala, atendendo a uma enorme variedade de consumidores com diversos “status” e poder aquisitivo. O sistema de comunicação de massa é mundial e os temas culturais que tomaram forma nos EUA invadem os mais diversos tipos de lares.

Apesar das diferenças étnicas, o modelo de beleza americano se impõe até entre os japoneses, que mudam a cor do cabelo e seu modo de vestir.

O que é o importante é o aqui e o agora. O agora é definitivamente agora. Nós tentamos viver o que está disponível ali, no momento. Não faz sentido pensar que existe um passado que poderíamos ter agora. Isto é agora, este simples momento. Nada místico, apenas “agora”, muito simples e direto. E desse “agora”, contudo, emerge sempre um sentido de inteligência de que estamos constantemente em interação com a realidade um por um. Lugar por lugar. Constantemente. Nós na realidade vivemos uma fantástica precisão, constantemente.

O que constitui a originalidade, a especifidade da cultura de massa é a direção de uma parte do consumo imaginário, pela orientação dos processos de identificação, para as realizações. Mas a vida não pode consumir tudo e a sociedade consumidora não poderá dar tudo. Ela retira mesmo quando dá. Proporciona segurança, mas não retira o risco e torna fictícia uma parte da vida projetando os espíritos dos espectadores em universos figurados ou imaginários, o que faz com sua alma migre para os inúmeros sósias que vivem para ele. A cultura de massa adapta essa projeção de identidade para se integrar a vida social e tomar partido dos cheios e dos ocos da civilização pela qual foi produzida.

Os rostos tornam-se disformes e inexpressivos, como rabiscos que não foram passados a limpo.

Não há um esforço para garantir a unidade, apenas a individualidade importa. A moral é cínica, o egoísmo é legal, faz mais sentido ser racional, pois o temperamental será banido para o nada. A filantropia, praticada como pilantropia reforça o consenso de que não existe altruísmo.

Certamente, técnica, indústria, capitalismo levam em si uma civilização realista, que inscreve os grandes ímpetos subjetivos na busca terrestres. Mas esse realismo orienta o afluxo subjetivo sobre o indivíduo vivo e mortal.

Curioso que uma sociedade que prega o individualismo, promova a perda de identidade como um meio de controle. Então como todo mundo, o indivíduo comete tantos clichês que acaba repetindo tudo o que já disseram acaba escrevendo em blogs, não consegue passar um dia sem acessar seu email e não imagina ficar sem celular.

Novos traumas e outros tantos vícios foram criados para massificar, para tornar o mundo um comercial e assim, devorar qualquer indicio de individualidade cultural.

Nós não nos damos conta de que vamos a algum lado e consideramos isso um incômodo.

Abril 4, 2009

Zoológico pode influenciar no desenvolvimento das crianças pequenas

 Diversão que proporciona desenvolvimento, o Zoológico de São Paulo provoca nas crianças menores a capacidade de enxergar um mundo novo cheio de cores, odores e texturas

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Com a crescente urbanização, as crianças têm perdido contato com coisas que eram muito próximas na infância de seus pais e por vezes chegam a pensar que todas as coisas são fabricadas ou que se trata de um brinquedo.

As crianças entre 0 e 5 anos de idade, têm diferentes oportunidades no seu desenvolvimento, dependem totalmente do pais nessa fase de suas vidas e são fortemente influenciadas pelo meio social em que vivem, portanto é importante oferecer a ela atividades simples como um passeio ao Zoológico.

A observação do ambiente onde os animais ficam presos em simulações de seus habitats naturais pode se tornar uma atividade pedagógica. A criança aprende a respeitar a natureza, compreende a importância de preservar as espécies. É uma atividade ótima para a família também, pois os pais podem dispor desse tempo para se relacionar com os filhos.

Saindo do metrô Jabaquara, onde os ingressos para o Zoológico estão a venda, há um microonibus que leva os visitantes diretamente ao parque. Como o local fica na rota de muitos aviões que saem do aeroporto de Congonhas, as crianças ansiosas na fila ficam surpresas com os aviões que parecem estar tão próximos e começam a estender os bracinhos como se tentassem pega-los. Tudo nesse momento é motivo de risos e festa.

Dentro do microonibus, uma confusão de pequenas mochilas do Homem-aranha, Batman e Barbie disputam espaço. As crianças não param de perguntar quando chegarão ao Zoológico e se poderão ver dinossauros lá. Logo os pais esclarecem que os dinossauros foram extintos há muitíssimo e que eles conhecerão outros tipos de animais. Nesse momento muitos pais aproveitam a oportunidade para orientar os filhos para ficarem atentos e não se perderem.

No meio do caminho o microonibus passa por dentro do Instituto Agrícola Paulista, o que confunde os adultos que ficam inseguros por esse inusitado modo de cortar caminho. Alguns até acham que o Zoológico fica ali mesmo e reclamam do tamanho.

 

Na escolinha a ‘tia’ da Isabella disse que ultimamente ela está bastante comunicativa e seu relacionamento com as outras crianças melhorou muito.”, explica Fabiola, a mãe da pequena Isabella.

 

Estímulo a comunicação

 Há muitas coisas importantes que os pais devem descobrir sobre o comportamento de seus filhos pequenos. Até os cinco anos a criança ainda esta aprendendo a conhecer o mundo, portanto é importante proporcionar a ela um entretenimento que seja fonte de estímulos ao desenvolvimento de seu cérebro.

Nesse período a criança ainda esta desenvolvendo sua relação com o mundo, criando noções de tempo e espaço, diferenciando a profundidade dos objetos da percepção das dimensões.

Para aumentar seu repertório é importante retira-la de seu ambiente costumeiro para criar chances de aprendizado, que nos primeiros anos deve ser algo bem tranquilo e simples.

É o que pensa a técnica em redes Fabiola da Silva Lourenço, 34 anos e seu marido William Silvio Lima, 24 anos, Motorista, pais da pequena Isabella de 1 ano e meio. O casal conta que o passeio proporcionou a oportunidade da família sair ao ar livre pela primeira vez num domingo ao invés de ir ao shopping.

O passeio criou na menina uma grande necessidade de tentar contar tudo o que viu para todo mundo que encontrasse. Ela ainda não sabe falar, só faz alguns sons incompreensíveis, mas essa vontade faz com que ela se esforce para se comunicar.

Fabiola, a mãe de Isabella comenta que “na escolinha a tia disse que ela ficou bastante comunicativa e seu relacionamento com as outras crianças melhorou muito e quando ela vê as fotos bate palmas e da gargalhadas. A criança ficou mais comunicativa mesmo.”

 

Abertura de repertório

Janaina Pereira dos Santos, 25 anos, estudante do curso Técnico em Administração e sua mãe a dona de casa Sônia Pereira dos Santos, 43 anos, resolveram aproveitar o domingo para levar o pequeno Carlos Eduardo, carinhosamente chamado de “Cadu”, 3 anos para conhecer os animais do Zoológico.

O Cadu não queria ir embora, queria ver o leão de qualquer jeito.”, comenta a irmã Janaina. Infelizmente o animal tem hábitos noturnos e costuma sair da toca na parte da manhã. Eles chegaram tarde quando o leão estava dormindo.

Quando alguém pergunta sobre o zoológico, Carlos Eduardo diz que viu “o macaco mas o leão não”, mas não fica triste e mostra com orgulho as fotos dos bichos que viu e ainda diz quais são.

A brincadeira preferida do Carlos Eduardo agora é imitar os animais, inclusive ele reconhece mais facilmente os animais que vê em desenhos e filmes.

Ele é uma criança muito curiosa, quer conhecer tudo. Aproveitou muito bem o passeio e quando vê as fotos sabe quais animais são.” A irmã acredita que isso abriu o repertorio dele, que também pôde observar como são as outras famílias que estavam lá e reconheceu que o mundo ao redor é bem maior.

Como o menino é muito curioso e adora aproveitar seus passeios sem fazer nenhum tipo de reclamação, Janaina prometeu leva-lo mais vezes para visitar os bichos e também para que ele consiga ver o leão que ele ainda anseia ver.

 

Novas brincadeiras

 

O tradicional passeio ao Zoológico de São Paulo se encaixa como um tipo de entretenimento que proporciona um grande aprendizado, pois seu ambiente é composto por grande diversidade de cores, imagens e texturas. Os cheiros e sons dos animais estimulam os sentidos dos pequenos.

Por estar acostumada com seu pequeno mundo a criança naturalmente se encanta com os animais e se diverte ao perceber quantas formas diferentes de vida existe no mundo e os tipos diferentes de seres humanos, apesar de entender que alguém mais velho é apenas maior ou que é aquela outra pessoa não é seu pai ou mãe.

A sensação de novidade está em tudo, admiram-se com qualquer coisa. Sua capacidade progride conforme os anos passam e suas reações se tornam mais complexas e individuais.

A técnica em Informática, Marcia Ruiz, 28 anos, decidiu que somente voltará ao Zoológico quando os gêmeos Marcos e Miguel, que atualmente têm 3 anos, completarem 5.

Acho que com essa idade eles estarão mais independentes e poderão andar com mais liberdade pelo parque.”

Ela conta que eles andaram muito e não paravam de imitar os bichos, o que acabou se tornando a brincadeira preferida deles em casa. O animal predileto dos gêmeos foi o pinguim, que eles queriam tocar de qualquer forma. A curiosidade dos meninos é tanta que acham que devem tocar em tudo, falar sobre tudo, de fato ‘abraçar o mundo’. A mãe complementa dizendo que “agora eles querem ser iguais aos bichos.”

 

No passeio tudo é novo para a criança, pois elas nunca viram os animais tão de perto. Só conhecem o cachorro de estimação”, comenta a pedagoda Ana Cristina Liria.

 

 Um ambiente fora da realidade

 

A pedagoga e artista plástica Ana Cristina Liria, 33 anos, que dá aulas de Artes e Informática no Colégio Costa Aguiar conta que as crianças menores são as que mais curtem o passeio ao Zoológico, pois seus alunos que têm mais de 9 anos, preferem ficar em casa jogando video-game ou na internet.

No passeio tudo é novo para a criança, pois elas nunca viram os animais tão próximos. Só conhecem o cachorro de estimação”, comenta a pedagoga.

Por estarem muito ocupados com o trabalho, os pais preferem transferir quase completamente a responsabilidade pela educação cultural de seus filhos, o que produz um analfabeto funcional. “O filho tem de tudo: microcomputador de ultima geração, celular com um monte de funções, mas não sabem que o pavão mostra as penas para seduzir as fêmeas. Os pais não querem se esforçar para trazer aos filhos um mundo cultural, apenas deixam que a escola providencie isso”.

Ana Cristina explica como funciona o processo de aprendizagem da criança: “A memória da criança está zerada, com o tempo é preenchida com informações que ela lembrará com todos os detalhes. A criança consegue absorver muito mais conhecimento, pois as novas sensações de um ambiente diferente da sala de aula torna tudo mais interessante. É como um brinquedo educativo.”

O aluno Luan de 5 anos, tem um interesse particular pelo Zoológico, gostaria até de morar em um. Ele gosta tanto de animais, que consegue descrever todos minunciosamente e coleciona vários brinquedos e modelos.

 

Reclamação

  

 

Aqui não tem fraldário, tive que trocar a criança ao ar livre. Entrei em vários banheiros que são enormes, mas não tem onde trocar os bebe. No mínimo deveriam ter uma bancada ou então um banco dentro do banheiro. Fiz uma reclamação na ouvidoria do parque e me disseram que devia olhar no mapa e que tinha na Alameda Elefante, ao lado da casa do Sangue Frio. Não há indicação alguma no mapa e mesmo assim um só é muito pouco para o tamanho do lugar.”, reclama Fabiola, a mãe de Isabella. De fato, o fraldário não está indicado no mapa vendido na entrada do parque.

Ainda há algumas falhas na estrutura do Zoológico, além da falta de um lugar que tenha comida saudável, pois há apenas lanchonetes que oferecem comidas ricas em gordura e pobres em nutrientes, o que não é indicado principalmente para as crianças.

Mães têm que trocar as crianças em bancos no meio do parque por falta de opção

Março 15, 2009

Apresentação única do Arch Enemy será no ABC.

Uma mistura de elementos do metal tradicional, trash e death metal com músicos acostumados a tocar de forma extrema.

 

Quem é fã de metal terá uma única oportunidade para ver a banda sueca Arch Enemy, que se apresenta no dia 3 de maio, no Espaço Lux, em São Bernardo do Campo, na região do ABC.

 

Divulgando seu novo álbum “Rise of the Tyrant”, na Revolution Tour pela América latina, a banda deverá visitar a Venezuela, Colômbia, Argentina e Brasil.

 

Inicialmente formada em 1996 por Michael e Christopher Amott, dois guitarristas que se uniram a outros músicos com a intenção de criar um som forte e poderoso, a banda conquistou vários fãs pelo mundo, principalmente no Japão. A formação inicial se desfez ao longo dos anos e atualmente conta com a vocalista Angela Gossow, os guitarristas Michael Amott e Christopher Amott, o baixista Sharlee D’Angelo e o baterista Daniel Erlandsson.

 

Quebrando parâmetros, a vocalista Ângela Gossow assusta os desavisados que escolhem ouvi-la por curiosidade. Sua voz é extremamente forte e bem mais agressiva do que a do vocalista anterior Johan Liiva.

 

Os organizadores do show estão arrecadando alimentos e pedem ao público que leve 1 quilo de alimento não perecível no dia.

 

Os preços dos ingressos promocionais variam de R$ 60 à R$ 110 e o Espaço Lux fica Rua Antonio Luiz Valério, 93 – Centro – São Bernardo Do Campo.

Março 7, 2009

A IDÉIA DE CULTURA…

 A palavra cultura é vista como uma palavra complexa na nossa língua, pois pode significar “cultivar algo” no sentido de uma atividade como a “Agricultura”, o que atrasou sua identificação como uma entidade.

No livro “A idéia de cultura”, Terry Eagleton começa sua análise pela raiz da palavra, que vem do latim Colere e significa cultivar, cuidar, adorar e proteger. Usando essa metáfora, o significado de cultura foi transferido para o nível espiritual através do desenvolvimento da humanidade, com a migração das zonas rurais para a vida urbana.

Por guardar alguns resquícios históricos, a palavra “cultura” também agrega valores filosóficos ou aprendizagem em geral, pois faz parte do ambiente que é criado pelo homem pela união do natural com o artificial. Então, ele se concentra em uma série de questões presentes em todos dos lugares e pessoas.

Em outras palavras, os recursos culturais que usamos para transformar a natureza são derivados dela, o que estabelece a continuidade entre o homem e o ambiente. O Homem apesar de fazer parte da natureza pode ser distinguido pela capacidade de se auto modelar. Entretanto, são “formatados” de acordo com as necessidades políticas; apesar de a cultura ser contrária à política por favorecer todas as qualidades humanas.

A natureza agora não é apenas a matéria constitutiva do mundo, mas a matéria constitutiva do ‘eu’. A palavra “natureza” indica tanto o que esta a nossa volta quanto o que está em nosso interior, então a cultura é uma questão de auto-superação tanto quanto de auto-realização e como uma plantação precisa ser cultivada. Se somos seres culturais, também somos parte da natureza que trabalhamos.

Há três sentidos modernos principais da palavra cultura:

  • com base nas atividades rurais “civilidade”;

  • no início do século XVIII “civilização”

  • na qualidade de idéia “ser civilizado”.

Embora “civilização” e “cultura” continuem sendo usadas como similares, elas são opostas:

“Cultura” é uma questão do desenvolvimento total e harmonioso da personalidade, mas ninguém pode realizar isso sozinho, seu desenvolvimento tende a vir de influências sociais que podem envolver até questões políticas.

“Civilização” fica limitada ao falarmos de determinados povos como os Incas ou Egípcios.

Florescendo na modernidade a cultura deve ser promovida pelo Estado para que a sociedade civil seja harmoniosa e responsável, o que implica uma visão global não só dos interesses próprios, mas também dos outros.

Nossa própria nossa de cultura baseia-se na alienação do social em relação ao econômico. A cultura só sobreviverá se não perder sua capacidade crítica e a capacidade de dialogar com a produção de bens materiais de forma consciente.

Fevereiro 28, 2009

A sociedade de massa, o homem-massa, a crítica a sociedade fast-food.

Acredita-se piamente que o trabalho é o meio mais honesto de ganhar dinheiro. Acordam cedo e dias após dia vivem na rotina incessante de movimentos programados.

Como robôs, desfilam nas ruas (não mais highway, mas “slow-way”), com câimbras nos olhos de tantas propagandas na rua, alimentando-se de fast-food e confusos com tanta informação constantemente vomitada em suas cabeças.

Banalizada pela indústria cultural, a liberdade do indivíduo é anulada. Preocupado em consumir, em manter o seu individualismo, seu ego inspirado nos estereótipos dos heróis do cinema, a individualidade do ser é destruída. Torna-se um ser amorfo, anêmico e sem qualquer interesse em mudar, em ser diferente, em ter opinião.

Curioso que uma sociedade que prega o individualismo, promova a perda de identidade como um meio de controle. Então como todo mundo, o indivíduo comete tantos clichês que acaba repetindo tudo o que já disseram acaba escrevendo em blogs, não consegue passar um dia sem acessar seu email e não imagina ficar sem celular.

Novos traumas e outros tantos vícios foram criados para massificar, para tornar o mundo um comercial e assim, devorar qualquer indicio de individualidade cultural.