Outubro 27, 2008...2:22 am

RELATÓRIO CRITICO DO LIVRO: Indústria Cultural

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Autores: Marco Antonio Guerra e Paula de Vincenzo Fidelis Belfort Mattos

São Paulo: Editora USJT, 2008

Indústria Cultural

Indústria Cultural

 

 

 

 

O título, bem objetivo é o próprio tema. No prefácio encontramos informações importantes sobre a finalidade dos autores em escrever o livro e lhes ajuda a criar interesse no leitor.

No Índice, a forma como o livro é organizado ajuda a determinar as principais idéias dos autores e a forma como deverão ser desenvolvidos.

O estilo dos autores é um pouco informal e pretende atingir o publico jovem. Os autores, bem objetivos, desenvolvem as idéias de forma a estimular o leitor a criar suas próprias conclusões sobre a influência da indústria cultural no ambiente em que vive. Ele abrange áreas pertinentes a comunicação social, cita exemplos fáceis e faz analogias com o dia-a-dia do leitor ao citar, por exemplo, no primeiro capitulo as duplas sertanejas que se tornar produto massificado da mídia e que passaram a ser um produto comercializável no país inteiro.

No livro encontramos conceitos e definições, reflexões sobre como a indústria cultural atinge os mais diversos meios de mídia como TV, rádio, cinema. Traz um panorama da influencia dessa cultura massificante no povo brasileiro e não apenas se centram na critica pura e ingênua.

Não devemos deixar de pensar: “até qual ponto é bom e até qual ponto é ruim este processo”.

É um livro completo, apesar da analise ter sido feita apenas até a década de 70. Seria interessante ler a continuação dessa análise, pois as pessoas acreditam que nunca foram tão felizes quanto agora e na verdade são mais escravas do consumismo, da rotina e sentem que essa vida estúpida rouba suas vidas.

Esclarecem conceitos sobre o conteúdo do produto cultural, e o caracteriza por um esvaziamento de conteúdo, o que faz com que o grande público seja atingido mais rapidamente.

Os autores simplificaram a produção artística dentro dessa indústria como um bem comercializável e afirmam que ela é realizada de acordo com o interesse lucrativo, o que impõe um determinado padrão a ser mostrado que transforma o espectador numa pessoa de crítica rebaixada e de mente narcotizada.

Definem que a indústria cultural trabalha com a midcult (remete ao universo dos valores pequeno burgueses) e a masscult (chamada pejorativamente assim), que foram formas apontadas pelo teórico americano Dwight MacDonald

Os produtos gerados assumem características bastante ambíguas, pois, embora apresentem a diluição de seu conteúdo, resgatam elementos que estavam esquecidos.

 

No texto foram usados exemplos como o processo de massificação da cultura popular pela qual uma dupla sertaneja se moderniza e ganha espaço nas rádios de todo o país e em programas de televisão. E alertam que a remasterização de antigas músicas, por exemplo, aumentam as vendas a partir de uma nova mídia, sem que haja preocupação em produzir algo novo.

 

Se por um lado a Indústria Cultural promove a banalização de muitas informações, por outro, faz com que ela chegue a todos.

Chacrinha nas décadas de 70 e 80 costumava jogar bacalhau para a platéia.

Oswald de Andrade, em seu manifesto Antropofágico, afirma que o homem brasileiro, assimilou a cultura européia, deglutiu, digeriu e regurgitou o que não lhe interessava.

No mundo contemporâneo, o que determina o consumo é a moda, que é alimentada pela indústria cultural e pela cultura de massa.

A moda cria a necessidade de consumo do novo. Objetos são substituídos por um produto mais novo sem que isso acrescente algo.

 

O maniqueísmo da indústria cultural está ligado ao conceito de banalização por que passa o processo cultural. Não é o distanciamento da indústria cultural que possibilita a qualidade do produto cultural.

Meios de comunicação e poder sempre estiveram juntos, e a indústria cultural apenas reforçou um conceito que sempre fora aplicado; a TV é o elemento capaz de passar todas as informações necessárias para o grande público. Assim, ganhou status de informante oficial. O problema esta no modo em que as informações são passadas, pois parecem esvaziadas de conteúdo.

 

E terminam com um capitulo inteiro sobre a Tropicália, que foi um movimento cultural que modificou o ambiente da música popular e da cultura brasileira no final dos anos 60. Numa época em que o Brasil era dominado pela estética da Bossa Nova, usaram o deboche para revelar as contradições da realidade do país. Os participantes formaram um grande grupo, do qual os destaques foram os cantores Tom Zé, Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil e Nara Leão; da banda Os Mutantes, do maestro Rogério Duprat e dos letristas José Carlos Capin e Torquato Neto completaram o grupo, que também tinha um designer gráfico, poeta e compositor Roger Duarte como seu principal mentor intelectual. Tropicalismo radicalmente renovou as letras das músicas com poetas e letristas como Torquato Neto que compôs com Gilberto Gil e Caetano Veloso obras complexas e de qualidade que marcaram várias gerações. Suas canções foram uma combinação do Brasil arcaico, tradicional, moderna e até mesmo futurista. Eles refinaram nosso repertório de música popular, introduzindo discos comercializáveis e questões anteriormente associadas apenas ao campo do design de vanguarda.

Os tropicalistas foram uma afronta à classe média, que sempre se interessou pela cultura como algo capitalizável, encarando a cultura como um modo de adquirir status e reconhecimento de poder, principalmente com relação a objetos raros e valiosos. Os problemas surgem quando não há o entendimento do produto cultural. Atualmente tudo pode ser coisificado, de cultura clássica a cultura de massa. De escultura clássica a magneto de geladeira.

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