Diversão que proporciona desenvolvimento, o Zoológico de São Paulo provoca nas crianças menores a capacidade de enxergar um mundo novo cheio de cores, odores e texturas

Com a crescente urbanização, as crianças têm perdido contato com coisas que eram muito próximas na infância de seus pais e por vezes chegam a pensar que todas as coisas são fabricadas ou que se trata de um brinquedo.
As crianças entre 0 e 5 anos de idade, têm diferentes oportunidades no seu desenvolvimento, dependem totalmente do pais nessa fase de suas vidas e são fortemente influenciadas pelo meio social em que vivem, portanto é importante oferecer a ela atividades simples como um passeio ao Zoológico.
A observação do ambiente onde os animais ficam presos em simulações de seus habitats naturais pode se tornar uma atividade pedagógica. A criança aprende a respeitar a natureza, compreende a importância de preservar as espécies. É uma atividade ótima para a família também, pois os pais podem dispor desse tempo para se relacionar com os filhos.
Saindo do metrô Jabaquara, onde os ingressos para o Zoológico estão a venda, há um microonibus que leva os visitantes diretamente ao parque. Como o local fica na rota de muitos aviões que saem do aeroporto de Congonhas, as crianças ansiosas na fila ficam surpresas com os aviões que parecem estar tão próximos e começam a estender os bracinhos como se tentassem pega-los. Tudo nesse momento é motivo de risos e festa.
Dentro do microonibus, uma confusão de pequenas mochilas do Homem-aranha, Batman e Barbie disputam espaço. As crianças não param de perguntar quando chegarão ao Zoológico e se poderão ver dinossauros lá. Logo os pais esclarecem que os dinossauros foram extintos há muitíssimo e que eles conhecerão outros tipos de animais. Nesse momento muitos pais aproveitam a oportunidade para orientar os filhos para ficarem atentos e não se perderem.
No meio do caminho o microonibus passa por dentro do Instituto Agrícola Paulista, o que confunde os adultos que ficam inseguros por esse inusitado modo de cortar caminho. Alguns até acham que o Zoológico fica ali mesmo e reclamam do tamanho.
“Na escolinha a ‘tia’ da Isabella disse que ultimamente ela está bastante comunicativa e seu relacionamento com as outras crianças melhorou muito.”, explica Fabiola, a mãe da pequena Isabella.
Estímulo a comunicação
Há muitas coisas importantes que os pais devem descobrir sobre o comportamento de seus filhos pequenos. Até os cinco anos a criança ainda esta aprendendo a conhecer o mundo, portanto é importante proporcionar a ela um entretenimento que seja fonte de estímulos ao desenvolvimento de seu cérebro.
Nesse período a criança ainda esta desenvolvendo sua relação com o mundo, criando noções de tempo e espaço, diferenciando a profundidade dos objetos da percepção das dimensões.
Para aumentar seu repertório é importante retira-la de seu ambiente costumeiro para criar chances de aprendizado, que nos primeiros anos deve ser algo bem tranquilo e simples.
É o que pensa a técnica em redes Fabiola da Silva Lourenço, 34 anos e seu marido William Silvio Lima, 24 anos, Motorista, pais da pequena Isabella de 1 ano e meio. O casal conta que o passeio proporcionou a oportunidade da família sair ao ar livre pela primeira vez num domingo ao invés de ir ao shopping.
O passeio criou na menina uma grande necessidade de tentar contar tudo o que viu para todo mundo que encontrasse. Ela ainda não sabe falar, só faz alguns sons incompreensíveis, mas essa vontade faz com que ela se esforce para se comunicar.
Fabiola, a mãe de Isabella comenta que “na escolinha a tia disse que ela ficou bastante comunicativa e seu relacionamento com as outras crianças melhorou muito e quando ela vê as fotos bate palmas e da gargalhadas. A criança ficou mais comunicativa mesmo.”
Abertura de repertório
Janaina Pereira dos Santos, 25 anos, estudante do curso Técnico em Administração e sua mãe a dona de casa Sônia Pereira dos Santos, 43 anos, resolveram aproveitar o domingo para levar o pequeno Carlos Eduardo, carinhosamente chamado de “Cadu”, 3 anos para conhecer os animais do Zoológico.
“O Cadu não queria ir embora, queria ver o leão de qualquer jeito.”, comenta a irmã Janaina. Infelizmente o animal tem hábitos noturnos e costuma sair da toca na parte da manhã. Eles chegaram tarde quando o leão estava dormindo.
Quando alguém pergunta sobre o zoológico, Carlos Eduardo diz que viu “o macaco mas o leão não”, mas não fica triste e mostra com orgulho as fotos dos bichos que viu e ainda diz quais são.
A brincadeira preferida do Carlos Eduardo agora é imitar os animais, inclusive ele reconhece mais facilmente os animais que vê em desenhos e filmes.
“Ele é uma criança muito curiosa, quer conhecer tudo. Aproveitou muito bem o passeio e quando vê as fotos sabe quais animais são.” A irmã acredita que isso abriu o repertorio dele, que também pôde observar como são as outras famílias que estavam lá e reconheceu que o mundo ao redor é bem maior.
Como o menino é muito curioso e adora aproveitar seus passeios sem fazer nenhum tipo de reclamação, Janaina prometeu leva-lo mais vezes para visitar os bichos e também para que ele consiga ver o leão que ele ainda anseia ver.
Novas brincadeiras
O tradicional passeio ao Zoológico de São Paulo se encaixa como um tipo de entretenimento que proporciona um grande aprendizado, pois seu ambiente é composto por grande diversidade de cores, imagens e texturas. Os cheiros e sons dos animais estimulam os sentidos dos pequenos.
Por estar acostumada com seu pequeno mundo a criança naturalmente se encanta com os animais e se diverte ao perceber quantas formas diferentes de vida existe no mundo e os tipos diferentes de seres humanos, apesar de entender que alguém mais velho é apenas maior ou que é aquela outra pessoa não é seu pai ou mãe.
A sensação de novidade está em tudo, admiram-se com qualquer coisa. Sua capacidade progride conforme os anos passam e suas reações se tornam mais complexas e individuais.
A técnica em Informática, Marcia Ruiz, 28 anos, decidiu que somente voltará ao Zoológico quando os gêmeos Marcos e Miguel, que atualmente têm 3 anos, completarem 5.
“Acho que com essa idade eles estarão mais independentes e poderão andar com mais liberdade pelo parque.”
Ela conta que eles andaram muito e não paravam de imitar os bichos, o que acabou se tornando a brincadeira preferida deles em casa. O animal predileto dos gêmeos foi o pinguim, que eles queriam tocar de qualquer forma. A curiosidade dos meninos é tanta que acham que devem tocar em tudo, falar sobre tudo, de fato ‘abraçar o mundo’. A mãe complementa dizendo que “agora eles querem ser iguais aos bichos.”
“No passeio tudo é novo para a criança, pois elas nunca viram os animais tão de perto. Só conhecem o cachorro de estimação”, comenta a pedagoda Ana Cristina Liria.
Um ambiente fora da realidade
A pedagoga e artista plástica Ana Cristina Liria, 33 anos, que dá aulas de Artes e Informática no Colégio Costa Aguiar conta que as crianças menores são as que mais curtem o passeio ao Zoológico, pois seus alunos que têm mais de 9 anos, preferem ficar em casa jogando video-game ou na internet.
“No passeio tudo é novo para a criança, pois elas nunca viram os animais tão próximos. Só conhecem o cachorro de estimação”, comenta a pedagoga.
Por estarem muito ocupados com o trabalho, os pais preferem transferir quase completamente a responsabilidade pela educação cultural de seus filhos, o que produz um analfabeto funcional. “O filho tem de tudo: microcomputador de ultima geração, celular com um monte de funções, mas não sabem que o pavão mostra as penas para seduzir as fêmeas. Os pais não querem se esforçar para trazer aos filhos um mundo cultural, apenas deixam que a escola providencie isso”.
Ana Cristina explica como funciona o processo de aprendizagem da criança: “A memória da criança está zerada, com o tempo é preenchida com informações que ela lembrará com todos os detalhes. A criança consegue absorver muito mais conhecimento, pois as novas sensações de um ambiente diferente da sala de aula torna tudo mais interessante. É como um brinquedo educativo.”
O aluno Luan de 5 anos, tem um interesse particular pelo Zoológico, gostaria até de morar em um. Ele gosta tanto de animais, que consegue descrever todos minunciosamente e coleciona vários brinquedos e modelos.
Reclamação
“Aqui não tem fraldário, tive que trocar a criança ao ar livre. Entrei em vários banheiros que são enormes, mas não tem onde trocar os bebe. No mínimo deveriam ter uma bancada ou então um banco dentro do banheiro. Fiz uma reclamação na ouvidoria do parque e me disseram que devia olhar no mapa e que tinha na Alameda Elefante, ao lado da casa do Sangue Frio. Não há indicação alguma no mapa e mesmo assim um só é muito pouco para o tamanho do lugar.”, reclama Fabiola, a mãe de Isabella. De fato, o fraldário não está indicado no mapa vendido na entrada do parque.
Ainda há algumas falhas na estrutura do Zoológico, além da falta de um lugar que tenha comida saudável, pois há apenas lanchonetes que oferecem comidas ricas em gordura e pobres em nutrientes, o que não é indicado principalmente para as crianças.
Mães têm que trocar as crianças em bancos no meio do parque por falta de opção