Maio 28, 2009...3:51 pm

Cultura de Massas no Século XX – Neurose , Edgar Morin

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morin

 

A Cultura de massa é, claramente um avanço feminino, porque é um sinal de progresso numa civilização para chegar a um estado de riqueza e de um nível de bem-estar.

Existe uma clara segmentação entre os dois sexos, existe uma diferença de gostos. Homens geralmente preferem futebol e as mulheres são mais facilmente distraídas assistindo filmes românticos.

O essencial é o modelo identificar da mulher-sujeito, porque ela é o ideal de muitas leitoras. O leitor, pelo contrário, já procura a mulher-objeto.

A “mulher magazine”, “mulher cinema” e a própria espectadora das salas de cinema, que surgem desses meios, descrições e destas imagens literárias ganham pouca realidade sociológica. Talvez estejamos por isso diante não tanto de uma transformação social efetiva – a emancipação das mulheres pelo trabalho, pelo consumo ou pelo lazer, a transformação do seu papel tradicional de filha, esposa e mãe no novo papel de mulher autónoma, independente, sujeito desejante cujas paixões e comportamentos que simultaneamente seduzem, atemorizam e desconcertam os homens – mas antes diante de uma construção cultural poderosa capaz de iludir a realidade e de agir sobre ela.

A experiência dos mais velhos se torna obsoleta, pois a “sabedoria dos antigos” é absurda e dispensável.

O prolongamento biológico e social da infância e da juventude – com todas as suas marcas, como o caráter lúdico e a criatividade – até idades avançadas e às vezes até o final da vida – diferencia o homem dos outros primatas mais próximos. A oposição das gerações se torna uma oposição da vida social num dado momento.

O ideal de felicidade, beleza, harmonia e bem-estar e também da tragédia e drama, são conceitos vendidos pela Cultura de Massa. Estes conceitos, que são produzidos e distribuídos para a massa falida, a criação de uma fuga da realidade onde os adultos que têm problemas pessoais, profissionais e psicológicos, tendem a procurar uma fuga tendem nessa cultura e, desta forma, vivencia uma fase de infantilismo e também de juventude, pois não enfrentam seus problemas. A fuga para esta fase é justamente porque, para muitos, é a melhor época da vida onde não se tem tantos problemas e quando se tem a mãe protetora sempre ao lado cuidando do “filhinho”.

O rejuvenescimento se tornou uma arte complexa, há inúmeras possibilidades para manter a juventude. Institutos de beleza, saunas, clínicas plásticas.

A imprensa moderna ilustrada, o radio, cinema e televisão estão implantados em todos os cantos do mundo. A sociedade está a sofrendo mudanças profundas na sua estrutura, as comunicações estão a evoluir de uma forma alucinante e a globalização veio para ficar. A sociedade de consumo deu primazia ao homem consumidor e todas as classes sociais foram chamadas a consumir.

Os produtos são baratos, pois são feitos em larga escala, atendendo a uma enorme variedade de consumidores com diversos “status” e poder aquisitivo. O sistema de comunicação de massa é mundial e os temas culturais que tomaram forma nos EUA invadem os mais diversos tipos de lares.

Apesar das diferenças étnicas, o modelo de beleza americano se impõe até entre os japoneses, que mudam a cor do cabelo e seu modo de vestir.

O que é o importante é o aqui e o agora. O agora é definitivamente agora. Nós tentamos viver o que está disponível ali, no momento. Não faz sentido pensar que existe um passado que poderíamos ter agora. Isto é agora, este simples momento. Nada místico, apenas “agora”, muito simples e direto. E desse “agora”, contudo, emerge sempre um sentido de inteligência de que estamos constantemente em interação com a realidade um por um. Lugar por lugar. Constantemente. Nós na realidade vivemos uma fantástica precisão, constantemente.

O que constitui a originalidade, a especifidade da cultura de massa é a direção de uma parte do consumo imaginário, pela orientação dos processos de identificação, para as realizações. Mas a vida não pode consumir tudo e a sociedade consumidora não poderá dar tudo. Ela retira mesmo quando dá. Proporciona segurança, mas não retira o risco e torna fictícia uma parte da vida projetando os espíritos dos espectadores em universos figurados ou imaginários, o que faz com sua alma migre para os inúmeros sósias que vivem para ele. A cultura de massa adapta essa projeção de identidade para se integrar a vida social e tomar partido dos cheios e dos ocos da civilização pela qual foi produzida.

Os rostos tornam-se disformes e inexpressivos, como rabiscos que não foram passados a limpo.

Não há um esforço para garantir a unidade, apenas a individualidade importa. A moral é cínica, o egoísmo é legal, faz mais sentido ser racional, pois o temperamental será banido para o nada. A filantropia, praticada como pilantropia reforça o consenso de que não existe altruísmo.

Certamente, técnica, indústria, capitalismo levam em si uma civilização realista, que inscreve os grandes ímpetos subjetivos na busca terrestres. Mas esse realismo orienta o afluxo subjetivo sobre o indivíduo vivo e mortal.

Curioso que uma sociedade que prega o individualismo, promova a perda de identidade como um meio de controle. Então como todo mundo, o indivíduo comete tantos clichês que acaba repetindo tudo o que já disseram acaba escrevendo em blogs, não consegue passar um dia sem acessar seu email e não imagina ficar sem celular.

Novos traumas e outros tantos vícios foram criados para massificar, para tornar o mundo um comercial e assim, devorar qualquer indicio de individualidade cultural.

Nós não nos damos conta de que vamos a algum lado e consideramos isso um incômodo.

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